Dos produtos da floresta ao desperdício da indústria
Indústria

Indústria portuguesa de embalagens aposta em matérias-primas com maior capacidade de reciclagem e biodegradável como alternativa ao plástico de origem fóssil

As embalagens feitas a partir de matérias-primas biodegradáveis e recicláveis e, por isso, mais sustentáveis e circulares, têm sido a grande aposta dos industriais do setor do packaging para substituir os plásticos de origem fóssil. O Hipersuper conversou com responsáveis de uma empresa recém-nascida neste mercado, a The Navigator, e com duas empresas já experientes na produção de embalagens, a Mplastic e a Eurogrip, para perceber como está a ser feita esta aposta em embalagens mais sustentáveis e circulares no mercado português.

Foi no final de 2021 que a The Navigator Company lançou uma nova linha de negócio de produtos para packaging, sob a marca gKraft. à boleia da entrada em vigor da legislação portuguesa que proibiu os plásticos de utilização única. “A marca gKraft contribui para a redução do plástico fóssil, sobretudo o de uso único, substituindo-o por materiais de base renovável e sustentável a partir de florestas plantadas”, afirma fonte oficial da Navigator, em declarações ao Hipersuper. Esta área de negócio representou cerca de 4% da faturação do grupo no ano passado, que se cifrou em 90 milhões de euros.

Esta é uma aposta de futuro. No primeiro trimestre de 2024, a Navigator conta ter em funcionamento em Portugal aquela que diz ser a primeira “unidade no mundo para a produção integrada de peças de celulose moldada de eucalipto, destinadas a substituir embalagens de plástico fóssil no mercado de food service”.

A futura fábrica localizada no parque industrial de Aveiro produzirá concretamente peças de celulose moldada destinadas a substituir peças de plástico que protegem alimentos e são utilizadas em embalagens nos pontos de venda ou são usadas numa perspetiva de utilização única. “Com uma capacidade inicial de 100 milhões de peças, estão previstos aumentos de capacidade nos anos seguintes”, avança a fonte da Navigator, acrescentando que um dos grandes desafios do projeto está ligado ao desenvolvimento de “propriedades de barreira biodegradáveis que permitam assegurar as funções de proteção dos alimentos e de isolamento apropriado a líquidos e gorduras constituintes dos mesmos”.

Por isso, a principal matéria-prima utilizada na gama gKraft é a fibra de Eucalipto Globulus que apresenta “particularidades muito interessantes” que permitem reduzir o consumo de fibra, em comparação com a fibra longa, assim como “benefícios técnicos distintos”, nomeadamente “a qualidade de impressão e as características de superfície”, salienta a mesma fonte.

A empresa fornece atualmente empresas de diferentes setores de atividade, como o retalho alimentar, o e-commerce, a indústria, a agricultura e a moda, e acredita que as embalagens alimentares apresentam “um elevado potencial de crescimento”, não só pela crescente consciencialização global para a redução do plástico como pela adequação da fibra virgem para a produção deste tipo de packaging. “Nestes produtos, a fibra reciclada não é adequada nem valorizada, o que oferece grandes oportunidades de crescimento”, sublinha.

“Acreditamos que os produtos de base florestal assumem um importante papel neste novo paradigma, com destaque para o papel, por todas as características que lhe são inerentes: natural, reciclável e biodegradável, tem na sua origem o maior sequestrador de carbono – a floresta – e no seu processo produtivo uma indústria que aposta na descarbonização e na investigação de bioprodutos”, afirma a mesma fonte, salientando ainda que o efeito de substituição do plástico de origem fóssil por um material celulósico com maior capacidade de reciclagem e biodegradável contribuiu para a redução das emissões com gases de efeito de estufa.

Na área dos bioprodutos, a empresa tem planos para desenvolver um conjunto de produtos alternativos aos produtos de origem fóssil como pastas de celulose não branqueadas de alto rendimento com menor utilização de madeira, embalagens de papel flexíveis para a indústria alimentar e retalho, embalagens em celulose rígidas também para a indústria alimentar e indústria eletrónica, compósitos de celulose e bioplásticos para produção de filamentos para impressão 3D e produtos termoldados para a área da saúde.

A Navigator lidera um consórcio constituído por 27 entidades nacionais que irá investir 103 milhões de euros na investigação, desenvolvimento e comercialização de soluções de embalagens inovadoras e sustentáveis.

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