Painel com autoridades do governo e da iniciativa privada traçou o perfil econômico atual do Nordeste e projetou um futuro brilhante
Na abertura do painel da terceira edição do talk Nordeste em Pauta, nesta quarta-feira (17/6), Maria Fernanda Coelho, diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) afirmou que o crescimento acima da média do Nordeste se deve à estratégia de governo. O evento é realizado, na capital federal, em parceria entre o Metrópoles e o Banco do Nordeste.
“Nós tivemos uma decisão política que trouxe as regiões, especialmente Nordeste e Norte, para o centro da discussão e políticas públicas”.
Para a diretora, houve um primeiro reconhecimento das potencialidades da região, da sua dinâmica e depois a valorização da sua extraordinária diversidade.
“O Nordeste tem algo que nos unifica, que é a caatinga e o semiárido, e a diversidade nos permite ir além. No ponto de vista do BNDES e BNB, além de toda uma decisão política de governo, temos também uma definição das instituições financeiras públicas e de que maneira fazer para democratizar o acesso ao crédito, implementar políticas públicas que possam responder à necessidade de crescimento dessas regiões”.
Entre as ações que o BNDES tomou em relação ao Nordeste, a diretora destacou o treinamento e ativação em relação a instituições financeiras parceiras. “Foi muito importante retomar essa relação com o Banco do Nordeste. Hoje nós temos um volume muito expressivo nesse relacionamento, enquanto instituição repassadora de recursos do BNDES. Foram mais de R$ 800 milhões em muito pouco tempo, só neste mandato do presidente Lula”.
Foi definido também um orçamento dedicado à Região Nordeste, assim como taxas diferenciadas, para incentivar o crédito. “Costumamos dizer que fazer um Finame na Região Nordeste é mais barato do que fazer em outras regiões do país, porque nós temos uma taxa diferenciada para lá, exatamente para que possamos incentivar esse novo ciclo de crescimento” – Finame é uma linha de crédito do BNDES para a produção e aquisição de máquinas, equipamentos, caminhões, veículos utilitários e sistemas industriais novos e de fabricação nacional.
Entre 2023 e 2025, o BNDES aprovou R$ 53,6 bilhões para a Região, o que é 63% superior ao período de 2019 a 2021. Neste primeiro trimestre, nossas aprovações alcançaram R$ 3,38 bilhões, o que representa 98% no primeiro trimestre de 2025”, informou Maria Fernanda.
A diretora ainda elencou as principais linhas do BNDES para o Nordeste, chamada de Nordeste mais Inovador, são: o Fundo Clima, que neste ano teve recurso recorde de R$ 27,5 bilhões; a linha Mais Inovação, que permite a produtores rurais acessarem máquinas e equipamentos agrícolas (principalmente no Maranhão, Piauí e Bahia); e a iniciativa com o Banco do Nordeste do Recaatingamento, que prevê ações de restauro sócio-produtivo, com aporte de R$ 55,2 milhões para 1.400 hectares de áreas degradadas e o Floresta Viva, com destinação de R$ 23 milhões para restauração de mais 1.630 hectares de florestas degradadas.
“São parcerias que permitem que tenhamos hoje mais de R$ 1 bilhão em cinco estados que atendem 250 mil agricultores familiares. Praticamente 50% desse público está no Nordeste”, destacou, em meio a outros dados afins.
Sudene
Já para Francisco Ferreira Alexandre, superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o Brasil teve um período em que a estratégia de governo esqueceu essa parte do país, mas agora novos olhares, de dentro e de fora, estão voltando para a região.
O superintendente destacou que o BNB administra o fundo da Sudene e ressaltou em sua fala as diferenças da dinâmica de cada estado nordestino. “A tarefa da Sudene é pensar como fazer o melhor possível para equalizar esse crescimento. O que é mais importante para gente é continuar crescendo acima da média do país e promover a diminuição efetiva da desigualdade”, afirmou.
“Nessa semana, por exemplo, estivemos em Pernambuco R$ 2 bilhões de investimentos sendo inaugurados pelo vice-presidente da República. A Chamada Nordeste teve R$ 127 bilhões e nós fizemos na Sudene um chamamento para carteira de projetos estratégicos por demanda dos estados, recebemos R$ 140 bilhões de demanda e apresentamos na semana passada”, exemplificou.
“Se olharmos para todo esse investimento, temos bastante demanda para a região e a nossa tarefa é saber como coordenar tudo isso, para gerar mais empregos e distribuir renda”, concluiu.
Fonte: Metrópoles
Foto: Andrea Pinheiro (Ascom/Sudene)



