Especialistas destacam que perfil regional de investimentos é diversificado e depende de objetivos, renda e tolerância a riscos
A Semana Mundial do Investidor mostra que os investimentos vêm sendo acompanhados por uma preocupação cada vez maior com planejamento financeiro, segurança e formação de patrimônio entre os brasileiros, inclusive no Nordeste. A região reúne 1.968 assessores de investimentos credenciados, 7,4% do total nacional.
A avaliação de especialistas ouvidos pelo Movimento Econômico é que não existe um padrão único de investimentos entre os nordestinos. As escolhas variam conforme renda, objetivos, idade, experiência financeira e disposição para correr riscos.
O que vem mudando é a relação do investidor com o próprio patrimônio, com maior atenção a planejamento, aposentadoria e sucessão.
A 10ª edição da Semana Mundial do Investidor (World Investor Week – WIW 2026) acontece até o dia 11 de outubro. Promovida pela Organização Internacional das Comissões de Valores (IOSCO) e coordenada no Brasil pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a programação reúne iniciativas de educação financeira e proteção dos investidores.
A Ápice Investimentos, credenciada à XP, atua em Salvador, Recife, Maceió e Fortaleza e possui mais de R$ 4 bilhões sob custódia. Para Gustavo Albuquerque, assessor de investimentos da empresa, o ponto de partida para definir investimentos não deve ser um produto específico, mas o planejamento da vida financeira do cliente.
“O nosso ponto de partida é o planejamento financeiro. É começar com o ponto de partida de agora e planejar a vida até os seus 100 anos, com todas as suas ambições e objetivos, onde você quer chegar e o que quer fazer ao longo dessa trajetória. A partir daí, a gente traça para onde vai o dinheiro, como vai alocar e qual o risco que cada um vai correr”, afirma.
Investimentos e mudança geracional
Para Albuquerque, a preocupação com investimentos também mudou entre as gerações. Se no passado era comum associar a aposentadoria principalmente ao INSS e deixar a sucessão patrimonial para depois, hoje investidores mais jovens passaram a incorporar essas questões ao planejamento.
“Então, hoje o investidor está preocupado com todos esses pontos: como ele acumula, como ele atinge aquilo ali, como aquele patrimônio vai se manter e perdurar ao longo da vida. E, depois disso, como é que isso vai passar para a próxima geração? Como é que eu vou deixar isso já encaminhado para que isso não seja uma preocupação de quem ficou?”, questiona.
Segundo o assessor, essa preocupação não está restrita aos investidores mais velhos. Ele relata atender desde pessoas com idade próxima à dos pais e avós até clientes de pouco mais de 20 anos interessados em organizar a transferência futura do patrimônio.
A mudança também aparece na forma como os profissionais trabalham. Em vez de simplesmente indicar um ativo, o assessor passa a acompanhar decisões relacionadas à liquidez, objetivos, aposentadoria, sucessão e preservação patrimonial.
“Então, o assessor de investimento deixou de ser uma pessoa que efetivamente chegava ali e falava: ‘Ah, você vai colocar dinheiro nesse ativo aqui, pronto’. Não é mais isso. A gente acaba atuando como alguém que pega na mão e realmente ajuda na tomada de decisão: como ele vai gastar o dinheiro, como vai alocar, qual propósito desse dinheiro e por que vai alocar nesse produto e não em outro”, afirma.
Diversificação dos investimentos
Embora a renda fixa continue tendo forte presença no Brasil em razão do nível elevado dos juros, a Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (ANCORD) aponta crescimento de produtos como fundos imobiliários, fundos relacionados ao dólar e ETFs.
Para Luis Abdal, Head de Marketing, Comunicação e Projetos Educacionais da ANCORD, a diversificação continua sendo uma das estratégias importantes para o investidor, evitando a concentração de todo o patrimônio em uma única alternativa.
“Tanto é que quando as taxas de juros foram menores, os mercados de renda variável cresceram muito, porque as pessoas procuram diversificar, que é também um conselho bastante importante para o investidor, que não colocar todos os ovos na mesma cesta”, ressalta.
Já Albuquerque avalia que a escolha precisa considerar o momento de vida e os objetivos de cada pessoa. Para ele, até mesmo investidores de uma mesma família podem precisar de estratégias diferentes.
“É bem personalizável, é bem moldável. Cada um tem uma maneira de ser direcionado dentro daquilo ali, um apetite a risco, ambições e onde quer chegar. Eu gosto sempre de falar do quanto é suficiente para cada um chegar onde quer chegar. Muitas vezes, não é preciso correr um risco desnecessário em busca de uma rentabilidade mais alta”, afirma.
Investimentos com olhar mais individual
A ANCORD participa da programação oferecendo cursos online gratuitos durante a semana. Os conteúdos passam por temas básicos, como funcionamento do sistema financeiro e economia, e avançam para mercado de ações, Tesouro Direto, prevenção à lavagem de dinheiro, gestão de riscos, derivativos e estratégias para investir em ações.
Para Abdal, a proposta é permitir que o público tenha acesso a informações em diferentes níveis de conhecimento.
“Você tem desde cursos mais simples, com conteúdos mais básicos, como sistema financeiro nacional e como funciona a economia. E também introdução ao mercado de ações, Tesouro Direto, PLD, que é prevenção à lavagem de dinheiro. Aí a gente tem esses cursos mais básicos e eles vão, obviamente, elevando o nível, passando para estratégias para investir em ações, gestão de risco, derivativos e criptomoedas”, explica.
Investimentos e educação financeira
A preocupação com educação financeira também está relacionada à prevenção de golpes. Durante a Semana Mundial do Investidor, a ANCORD reforça a campanha “Invista com Segurança”, que alerta para fraudes, promessas de ganhos fáceis, apostas e operações não regulamentadas.
Segundo Abdal, um dos problemas é a confusão entre apostas e investimentos. O executivo afirma que a campanha busca mostrar que atividades baseadas em sorte não podem ser tratadas como instrumentos de formação de patrimônio.
“As pessoas colocavam o seu dinheiro, a sua poupança, em produtos que dependem da sorte, achando que você vai ganhar dinheiro, que vai ficar rico e que vai pagar suas dívidas. Então, as pessoas acabam se endividando ainda mais, porque a sua chance de ganhar é tão grande quanto a de perder. Por isso que é tão importante a educação financeira”, afirma.
A entidade mantém ainda uma consulta pública gratuita para verificar se um assessor está credenciado e vinculado a uma instituição financeira. Nos últimos três anos, a ferramenta acumulou mais de 1,4 milhão de consultas.
Fonte: Movimento Econômico



